IP · Território de origem

Pantanal

Mel

Pantanal é uma indicação de procedência relacionada a Mel, em MS. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.

Pantanal é uma indicação de procedência relacionada a Mel, em MS. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.

A Indicação de Procedência reconhece a reputação de um lugar na produção de um produto ou na prestação de um serviço.

Os documentos e a delimitação apresentados nesta página ajudam a conhecer o que identifica essa origem. A inclusão de um município não significa que toda a sua área esteja abrangida pela indicação geográfica. Visitas a produtores dependem dos canais e das condições informados por cada estabelecimento.

Conheça esta origem

Nome no registro
Pantanal
Registro INPI
BR402013000004-0
Modalidade
Indicação de Procedência
Estado relacionado
Mato Grosso do Sul
Concessão do registro
18/02/2015
Representação figurativa registrada de Pantanal

Onde fica a área geográfica

A delimitação define a área vinculada a esta origem. Consulte o documento oficial para limites, condições e eventuais áreas parciais.

A delimitação corresponde ao Bioma Pantanal, presente em dois estados brasileiros, que ocupa 25% do Mato Grosso do Sul e 7% do Mato Grosso. O pantanal é subdividido em 11 pantanais, com suas respectivas delimitações: o Pantanal de Porto Murtinho posiciona-se ao longo do Rio Paraguai, tendo como limites norte e sul os rios Aquidauana e Apa, respectivamente. Confinada entre a República do Paraguai e os relevos residuais do complexo Rio Apa e grupo Amonguijá e tendo a norte o Pantanal do Nabileque, essa unidade representa a extremidade meridional do pantanal sulmato-grossense.

O Pantanal do Paraguai corresponde, em sua maior parte, à extensa planície de inundação do Rio Paraguai, desde a Ilha do Caracará, nos limites do Pantanal de Cáceres, até as bordas do Maciço do Urucum, ao sul de Corumbá. O Pantanal de Nabileque apresenta como limites: ao norte, o Pantanal do Abobral, ao sul, a floresta Chaquenha de Porto Murtinho; a leste, o Pantanal de Miranda; e a oeste, as matas situadas na fronteira boliviano-paraguaia. Está sob a jurisdição de Corumbá, sendo um distrito do município. A área de Jacadigo é também incluída neste pantanal.

O Pantanal de Porto Miranda apresenta os seguintes limites: ao norte, o Pantanal de Abobral; ao sul, as florestas Chaquenhas do município de Pporto Murtinho; a leste, o Pantanal de Aquidauana; e a oeste, a Serra da Bodoquena e o Pantanal de Nabileque. O Pantanal de Aquidauana apresenta como limites: ao norte, o Pantanal da Nhecolândia; ao sul, a própria cidade de Aquidauana; a leste, a Serra de Aquidauana; a oeste, os pantanais de Miranda e Abobral. O Pantanal do Abobral limita-se, ao norte, com a Nhecolândia; ao sul, com os pantanais de Miranda e Nabileque; a leste, com o Pantanal de Aquidauana; e a oeste, com o Rio Paraguai.

O Pantanal da Nhecolândia é um dos maiores da área considerada. A imensa maioria de seu território está situada dentro do município de Corumbá, ficando apenas uma pequena parcela a leste sob jurisdição de Rio Verde de Mato Grosso. Segunda dados da empresa brasileira de planejamento de transportes (1974), sua área é de 23.574 km².

Seus limites são: ao norte, o Pantanal do Paiaguás, sendo o Rio Taquari o ponto de referência para a separação; ao sul, os pantanais de Abobral e Aquidauana, aparecendo o Rio Negro como importante marco divisório; a leste, o Planalto Central, atingindo-se o mesmo através da Serra da Alegria e desembocando-se na rodovia br-163, de onde se atinge quase equidistantemente as cidades de Coxim e Rio Verde de Mato Grosso; a oeste, o Rio Paraguai.

O Pantanal de Paiaguás apresenta como limites, ao norte, o Pantanal de Barão de Melgaço, servindo o Rio Piquiri como marco divisório entre os dois; ao sul, os pantanais da Nhecolândia e o Paiaguás; a leste, a Serra de São Jerônimo, no limite com o Planalto Central; e a oeste, as florestas dispostas na fronteira Brasil- Bolívia. O Pantanal de Barão de Melgaço apresenta como limites, ao norte, uma linha imaginária que cruza a própria cidade, ao sul, o Pantanal de Paiaguás, ambos separados pelo Rio Piquiri, a leste, o Planalto Central e, a oeste, o Pantanal de Poconé, servindo aí o Rio Cuiabá como divisor de águas.

O Pantanal de Poconé limita-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o Rio São Lourenço, no limite com o Pantanal de Paiaguás, a leste com o Pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o Rio Paraguai. O Pantanal de Cáceres apresenta como limites, ao norte, uma linha imaginária que cruza a própria cidade de Cáceres; ao sul, as lagoas Uberaba e Gaiba e a Zona do Caracará, no limite com o Pantanal de Poconé, na junção dos rios Cuiabá e Paraguai; a leste, o Rio Paraguai; e a oeste, as florestas da fronteira boliviana.

O que caracteriza o produto ou serviço

As características, descrição e padrão de identidade e qualidade dos produtos apícolas produzidos dentro do Pantanal do Brasil devem obedecem às normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O produto definido neste regulamento não poderá ser adicionado de açúcares e/ou outras substâncias que alterem a sua composição original. O mel não deve ter indícios de fermentação. - Características Sensoriais: 1. Cor: é variável de quase incolor a pardo-escura; 2. Sabor e aroma: deve ter sabor e aroma característicos de acordo com a sua origem. - Características Físico-Químicas 1.

Açúcares redutores (calculados como açúcar invertido): 1.1. Mel floral: mínimo 65g/100g; 1.2. Melato ou Mel de Melato e sua mistura com mel floral: mínimo 60g/100g; 1.3. Umidade:máximo 20g/100g; 1.4. Sacarose aparente: Mel floral: máximo 6g/100g; Melato ou Mel de Melato e sua mistura com mel floral: máximo 15g/100g.

A relação entre o produto e o lugar

A documentação descreve os elementos do ambiente, da história e do saber-fazer associados a esta indicação.

A flora pantaneira caracteriza-se pela riqueza e abundância de espécies e seu potencial apícola, o que favorece a produção de mel de abelhas africanizadas que ocupam ocos de árvores. O Pantanal possui 206 espécies de plantas apícolas catalogadas, sendo 86 ervas, 44 árvores, 44 arbustos e 24 trepadeiras. Dentre estas, a Vermônia polysphaera (assa-peixe), a Dipteryx odorata (cumbaru) e a Vitex cymosa bartero ex spreng (tarumeiro). são as mais procuradas pelas abelhas. Essa variedade de espécies, somada aos índices de temperatura e umidade, resultam em um mel silvestre singular, consistente, fino, de sabor forte e acentuado, levemente doce.

A região não tem inverno rigoroso e está praticamente livre de inseticidas, oferecendo um ambiente favorável à apicultura. O Mel do Pantanal tem chamado a atenção principalmente por ser silvestre, e de uma região onde predomina a criação de gado, com pequenas áreas de lavoura. Esse tipo de mel está cada vez mais escasso no mundo, em virtude do avanço das fronteiras agrícolas, com seus defensivos. A ligação entre a região geográfica e o produto final é que o mel é do Pantanal é colhido em meio à biodiversidade, em um espaço único, onde encontramos a presença forte da savana estépica alagada.

Até meados do século XX o mel fazia parte das atividades extrativas. A técnica era a mesma empregada em séculos anteriores por populações indígenas, que buscavam no oco das árvores o mel das abelhas silvestres, derrubando com um machado a árvore e, assim, alcançando a colmeia. Conforme foi aumentando o contato com outras comunidades - fatores como o automóvel e a melhoria das estradas facilitaram esse processo -, o pantaneiro começou a comercializar alguns produtos típicos do pantanal, entre eles o mel. O mel do pantanal, por não cristalizar facilmente, era acondicionado em vidro ou “em litro”.

Com o costume de presentear, e com o crescimento do contato com outras regiões do Brasil, o Mel do Pantanal começou a ser uma referência na região. O conhecimento empírico dos pantaneiros sobre a qualidade e a diferença do Mel do Pantanal, somou-se, a partir de meados do século XX, a estudos científicos sobre o bioma pantanal e a apicultura ali desenvolvida. Afirmar que o mel é do Pantanal significa que foi colhido em meio à biodiversidade, em um espaço único, onde encontramos a presença forte da savana estépica alagada. O Pantanal manteve sua flora diferenciada devido às suas características naturais.

Embora conhecido pela umidade – chegando a ficar com 70% de sua planície inundada – ele também pode ser seco, dependendo da fase do ano. O bioma pantanal tem particularidades que dificultam algumas culturas. Não são todos os espaços em que é possível plantar grãos e criar animais. Assim, possui uma grande parte de matas nativas apresentando diversas espécies de plantas apícolas. Essa variedade, somada aos índices de temperatura e umidade, para a apicultura resulta em um “mel silvestre” singular.

Até meados do século XX o mel consumido no Pantanal originava-se de abelhas silvestres e também da Apis mellífera, conhecida na região como oropa ou europa. Essa espécie se caracteriza por ser “mansa”, produtiva, e de fácil adaptação, tanto que do continente europeu, de onde é originária, espalhou-se pelo planeta, onde surgiram inúmeras subespécies. A partir da década de 1950, ocorreu a implementação da Apis mellifera scutellata, a abelha africana.

Os estudos que abordam a história da apicultura no Brasil explicam que, a partir de São Paulo, as abelhas foram naturalmente invadindo outras regiões, e o cruzamento com as melíferas europeias resultou na Apis mellifera africanizada. Nesse período, de entrada da abelha africanizada, continuava entre os pantaneiros o costume de manter próximo de suas casas alguma colmeia de mel silvestre, para consumo da família – até hoje esse costume se mantém. Mas, além disso, alguns pantaneiros já começavam a exercer a apicultura de forma amadora. Entre finais da década de 1970 e início da década de 1980, se consolida a apicultura no pantanal.

Quem requereu o registro

Conselho das Cooperativas, Associações, Entrepostos e Empresas de afins a Apicultura do Pantanal do Brasil – CONFENAL

Entidade indicada como requerente na ficha técnica consultada.

Municípios relacionados

O vínculo documentado não significa que todo o território de cada município esteja dentro da IG.

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